Natureza, Antagonista Do Homem?

Penso no curioso hábito humano de sentar e olhar para o mar. Ou sentar e olhar para as montanhas, para o pôr do sol, para o horizonte, para o além. Me faz sentir tão pequena, tão insignificantemente humana, que até dá dó. E quem sabe é por isso que o homem destrói a natureza, porque ele não suporta que algo seja maior do que ele.

Quando eu olho para o mar e sua imensidão, seu mistério, meus problemas parecem insignificantes. Sou só mais uma nesse imenso lugar cheio de gente e seres que também ocupam seus espaços, têm suas dores, seus problemas e suas razões. Vejo as conchas na areia, as pegadas, o lixo, indicando que tantos outros também passaram por ali antes de mim e deixaram seus rastros assim como eu. Sou irrelevante.

Se estou fazendo uma trilha, rodeada de terra, árvores, plantas e insetos, me sinto uma estranha, uma invasora. Não pertenço a esse lugar porque não saberia sobreviver nele. Eu tropeço, me sujo, me perco, o sol me queima e os insetos me picam. Fico cansada, suada, intimidada. Pequena.

Vendo o pôr do sol, penso na passagem do tempo, no fim e no começo, na finitude de absolutamente tudo que sei e conheço, inclusive desse mesmo sol que cobre a minha cabeça e a terra que firma meus pés. Esse mesmo sol e essa mesma terra que presenciaram o começo de tudo, e que também presenciarão o seu final.

Se eu observo os troncos das grandes árvores, consigo ver as dezenas, centenas de formigas pretas caminhando uma atrás da outra, carregando folhas duas vezes maiores do que elas, rápidas, focadas, me lembrando que todos trabalham, todos sofrem, todos correm, o mundo não é só meu.

Quando vejo o mundo de cima, me pergunto, seria possível ver tudo tão grande sem me sentir incrivelmente pequena? Olhar para a imensidão do mar, as vastas árvores e matas, as gigantescas montanhas, o céu, infinito.

O homem, com toda sua grandeza, jamais será tão grande quanto tudo isso. Nem com o prédio mais alto, o trem mais rápido, o navio mais moderno. Nem com suas ferramentas e invenções, suas tecnologias e seus avanços históricos. Nem com todo seu dinheiro, seu poder, suas posses e conquistas. Nem com seu nome, seu sobrenome. Nem com suas palavras tão belas, ou suas ações, tão nobres. 

Será que é possível ver o mundo assim, de cima, e não pensar que tudo poderia ser mais fácil? Poderiam os homens nadar juntos no mesmo imenso mar? Explorar as matas e escalar as montanhas, juntos? Poderia o homem, esquecer o seu nome e sobrenome, e abaixar a sua espada diante da grandeza da natureza? 

Olhando lá de baixo, é mais difícil enxergar tudo isso, é claro. Dentro do universo do homem, tudo está em sua perspectiva, que é limitada.

Quando estou em casa, presa pelas minhas paredes, telas, grades e luzes artificiais, o mundo é outro. Esse mundo, sim, é meu. No meu mundo, eu sou enorme, o “tudo” nunca é o suficiente, quanto mais, melhor. Mais tempo, mais dinheiro, mais produtivo, mais rápido, mais bonito, mais novo. E a frustração do impossível nessa minha grandeza me deixa assim - doente, ansiosa, obcecada, deprimida, egoísta.

Para me ajudar, fabricam os filmes, esportes, músicas, remédios, curas, métodos e inteligências, resolvendo (ou me distraindo de) os meus problemas, quem sabe até mudando minha química cerebral para me fazer funcionar em um mundo no qual eu não fui programada para viver.

Será que algum dia a evolução vai nos reprogramar para nascermos adaptados ao mundo que o homem criou? A natureza como conhecemos ainda existirá quando esse dia chegar?

Me contento e me desespero com a falta dessa resposta.